Para onde vai Pedro Cunha Lima com seus mais de 1 milhão de votos?

Política de “vídeo game” ou não – entendedores, entenderão -, o fato é que o ex-deputado federal Pedro Cunha Lima não erra em se manter na disputa pelo governo da Paraíba em 2026. Presidente do PSD na Paraíba, Pedro abrir mão seria o mesmo que desconsiderar os mais de um milhão de votos recebidos em 2022, e que mantêm o grupo Cunha Lima “vivo” na política.

Não faz sentido para o legado dos Cunha Lima sair de protagonista para coadjuvante, ocupando espaços menores nas pretensas chapas do senador Efraim Filho ou do prefeito Cícero Lucena, a não ser que o grupo tenha uma estratégia maior para mais a frente.

Pedro, aliás, tem repetido em entrevistas que não vai aceitar discurso de “continuidade”, em uma (in)direta ao prefeito da Capital e que se abrir mão terá que ser por um nome que esteja alinhado verdadeiramente com a oposição.

Apesar de ter um estilo de fazer política na contramão de aliados e adversários, a realidade eleitoral da Paraíba insiste em contrariar os críticos. O ex-deputado segue pontuando bem nas pesquisas, mesmo sem estar correndo a BR, a exemplo de Cícero, Efraim e do vice-governador Lucas Ribeiro, nome da base governista.

Queiram ou não, Pedro representa um capital político sólido, construído ao longo de décadas pelo peso histórico do clã Cunha Lima – Ronaldo e Cássio -, mas também consolidado pela própria trajetória.

Nas eleições de 2022, Pedro chegou ao segundo turno enfrentando a força da máquina estadual e chegou perto da vitória contra o governador João Azevêdo. Isso, por si só, mostrou sua densidade política. Fez uma campanha com forte apelo moral e de inovação na esfera político-administrativa, o que o aproximou da sociedade civil. Os mais de um milhão de votos ainda estão bem vívidos na memória do eleitor paraibano.

Com a corrida para 2026 se definindo, o nome de Pedro surge até naturalmente nas conversas sobre sucessão. Falta a ele um posicionamento mais firme sobre encarar essa disputa e melhorar um pouco mais o discurso de que quer apenas “fazer parte de um movimento”.

Enquanto os possíveis aliados testam narrativas e alianças, Pedro mantém o trunfo de quem já foi testado nas urnas. Sabe o tamanho que tem, e que mesmo “jogando videogame”, segue incomodando. Lembrando que um jogo de videogame tem muitas vidas e pode ser resetado a qualquer momento, mas tem boas cartas para jogar, ou melhor, está com o controle na mão.

Publicado há 6 meses

Artigo Anterior

Wilson Santiago evita cravar apoio ao projeto de reeleição de Lucas Ribeiro

Próximo artigo

Lucas Ribeiro anuncia convocação de 2ª turma do Curso de Formação da PM

Assine nossa newsletter

Receba as últimas notícias e atualizações diretamente no seu e-mail.
Informação de qualidade, zero spam ✨